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Diário transbordo: No contexto


Em mais uma conversa com o louco Josimar, colega de trabalho, vi o quanto ele estava entretido com um arquivo do Word. Como minha curiosidade não permitia que o tal documento passasse em branco, fui verificar sobre o que tratava.

Com a página já impressa, iniciei a leitura enquanto Josimar explicava que aquilo era uma prova de matemática elaborada por ele mesmo a pedido de um professor amigo dele. Porém, tinha uma temática bem especial, visto que tal educador solicitara que as questões fossem contextualizadas com a atualidade de forma a atrair a atenção de seus alunos dispersos.

Como qualquer descrição só iria obscurecer a criação do nosso prezado Josimar, resolvi reproduzir a prova na íntegra logo abaixo.

Prova de Matemática

Nome do aluno:
Turno:
Facção a qual pertence:

Questões

1. Zarôio tem um fuzil AK-47 com pente de 80 balas. Em cada rajada, Zarôio gasta 13 balas. Quantas rajadas poderá disparar até descarregar todo o pente?

2. Birosca comprou 10 gramas de cocaína pura que misturou com bicarbonato de sódio na proporção de 4 partes de pó para 6 de bicarbonato. A seguir, vendeu 6 gramas desta mistura a Cascudo por R$ 150,00 e 16 gramas a Chinfra por R$ 40,00 cada grama. Então:

a) Quem comprou mais barato? Cascudo ou Chinfra?
b) Quantos gramas de mistura Birosca preparou?
c) Quanto de cocaína contém essa mistura?
d) Qual é a taxa de diluição da mistura?

3. Rojão é cafetão na praça Mauá e tem 3 prostitutas que trabalham para ele. Cada uma delas cobra R$ 35,00 por cliente, dos quais R$ 20,00 são entregues a Rojão. Quantos clientes terá que atender cada prostituta para poder comprar a Rojão sua dose diária de crack no valor de R$ 150,00?

4. Jamanta comprou 200 gramas de heroína que pretende revender com um lucro de 20% graças ao batismo da droga com giz. Qual é a quantidade de giz que ele terá que adicionar?

5. Chaveta recebe R$ 500,00 por cada BMW roubado, R$ 125,00 por carro japonês e R$ 250,00 por cada 4x4. Como já puxou 2 BMW e 3 4x4, quantos carros japoneses terá que roubar para receber o total de R$ 2.000,00?

6. Pipôco está na prisão há 6 anos por assassinato pelo qual recebeu o equivalente a R$ 5.000,00. A mulher dele está gastando esse dinheiro à taxa de R$ 50,00/mês. Quanto dinheiro vai restar para Pipôco quando sair da prisão daqui a 4 anos?

7. Uma lata de spray dá para pichar uma superfície com 3 metros quadrados. Uma letra grande ocupa uma área de 0,4 metros quadrados. Quantas letras grandes poderão ser pintadas com 3 latas de spray?

8. Chapão recrutou 3 prostitutas para sua gangue. Se o número total de prostitutas que trabalham para a gangue é igual a 27, qual é o percentual de prostitutas recrutadas por Chapão?

9. Durante uma rixa entre gangues, Maifrende disparou 145 balas com uma pistola automática .45 (de uso exclusivo das Forças Armadas) acertando 8 pessoas. Qual o percentual de eficácia dos tiros de Maifrende considerando que acertou um tiro em cada pessoa?

10. Sapão é preso por traficar crack e a sua fiança foi estabelecida em R$ 12.500,00. Se ele pagar a fiança e os honorários do seu advogado (que reclama 12% da fiança como pagamento) antes de fugir para a Bolívia, qual será o total da despesa?

BOA PROVA.

OBSERVAÇÃO: AÊ, MALUCO! QUEM COLAR VAI PRA VALA!

Definitivamente é uma prova irônica e engraçada, porém triste, já que retrata fielmente nossa pungente realidade. Será que assim nossos adolescentes dariam mais atenção aos seus estudos e consequente futuro?

Diário Transbordo: Palavras e sentidos


Num dia normal de trabalho conversava com Josimar. Acabamos chegando a um assunto que mesmo não parecendo, costuma nos afetar mais que imaginamos. Abaixo, reproduzo o nosso diálogo:

Caio: Parece que tem gente que faz questão de não entender nada!

Josimar: É... isso acontece bastante. A gente tá ali falando, achando que tá fazendo um discurso da porra e, no final, percebe que só perdeu tempo, porque a pessoa entendeu completamente o oposto do que você disse.

Caio: Realmente! Parece que você fez tudo errado.

Josimar: Pior ainda. Você fica se perguntando se tá louco, se bateu a cabeça e falou o que não devia, porque ou a pessoa que tá te ouvindo é tapada, ou você virou esquizofrênico e tá sem a noção do que diz!

Pensando nisso melhor, percebia quão difícil era o entendimento entre as pessoas que, mesmo falando do mesmo assunto, nos mesmos termos, insistiam em não compreenderem um ao outro, como se o lugar-comum fosse algo tão distante quanto as palavras mal-interpretadas naquela situação. Quantas vezes já me vi no momento absurdo de pensar comigo mesmo que tinha total certeza das informações proferidas para um terceiro, mas que na cabeça dele não se achavam daquela forma.

Quando se é prolixo demais, há o problema de não se fazer entender, porém quando se tenta ser objetivo, parece que tudo se complica ainda mais e a simplicidade não é tão branca assim para o ouvinte. Fiquei me perguntando quanto tempo levaria para que as pessoas percebessem que as contendas das quais fazem parte são tão sem sentido quanto os argumentos que defendem em um mesmo raciocínio?

Isso Josimar não pode responder, enquanto se entretinha abrindo suas contas que tinham acabado de chegar. Mas olhou para mim com a cara mais lavada do mundo e mostrou o cartão que recebera das lojas Marisa. Em seguida, voltou-se para a carta que acompanhava o cartão em seu nome e leu: "Cartão Marisa para você, mulher!"

Apesar de toda seriedade do assunto de segundos atrás, não tive como não cair na gargalhada.

Diário transbordo: Cuidado com a coceirinha!


Mais uma de Josimar!

Enquanto trabalhavámos dentro do estoque, num calor de matar, seu braço coçava constantemente e pensei que seria consequência do calor ou da poeira, mas assim mesmo resolvi perguntar o que havia. Ele me respondeu que não era nada demais, apenas uma alergia qualquer, mas isso logo lhe remeteu a uma historieta que ouvira alguns dias atrás.

Disse que um homem entrou no consultório de um médico e assim que o doutor o viu, seu rosto se contorceu em estranheza já que o homem trazia um sapo encimado em sua cabeça. Assim que o rapaz sentou, o médico o indagou: - Meu filho, qual o seu problema? Tem um sapo em sua cabeça!

Eis que o sapo abre a boca e responde: - Doutor, não sei. Só sei que começou com uma coceirinha no pé.

Diário transbordo: Pôneis e pincéis


Numa postagem anterior cheguei a citar um colega de trabalho chamado Josimar. Só o conhecendo mesmo para entender a figura que é esse cara. Foi ele quem me fez lembrar de uma das cenas mais divertidas das animações que já assisti, a do bode cantor do filme Deu a Louca na Chapeuzinho (se você não leu a postagem, basta clicar aqui). Cada dia no trabalho traz a certeza que haverá pelo menos uma ocasião em que uma história, piada ou situação hilária virá à tona só por causa do Sr. Josimar. Tanto que venho pensando seriamente em criar um blog paralelo com um personagem inspirado nessa personalidade ímpar. Enquanto não o faço, fica aqui uma nova tag intitulada "Causos de Josimar" onde narrarei alguns desses ocorridos.

Pois bem. Estava envolto em minhas ocupações atuais quando ele contava para outro funcionário o que presenciou numa das lojas do Boticário. Só ouvi o final, mas bastou este para que lhe pedisse para recomeçar e explicar direito o que aquilo significava.

Contou que uma cliente que apresentava alergias aos pincéis usados em maquiagem, pois estes eram feitos de crinas de cavalos, informou justamente isso à atendente, pedindo-lhe um pincel que não fosse nessas condições. Prontamente a atendente buscou dois pincéis e os apresentou à mulher, que estranhou o fato dos objetos serem praticamente idênticos. E por isso, indagou: - Qual a diferença?

- Bem, este aqui é feito de crina de cavalo, que a senhora tem alergia. Porém este é confeccionado com crina de pônei. - explicou a funcionária bastante satisfeita com o trabalho que desenvolvia. E prossegiu: - Então, pelo fato deste aqui ser produzido com os pêlos do pônei, se trata de um material sintético e não causará qualquer mal a senhora.

Obviamente, a senhora franziu o cenho e perguntou: - Como se trata de um material sintético se você acabou de afirmar que era feito com pêlos de pônei?

A vendedora sabiamente respondeu: - Ora, senhora! Pôneis são cavalos sintéticos, daí a distinção do material.

Disse Josimar que, no mesmo instante, a supervisora da loja que acompanhava a venda esboçou um sorriso amarelo e interrompeu a conversa pedindo mil desculpas à cliente e mandando a funcionária se recolher ao estoque. Com cara de quem não entendia nada do que se passava, a moça acatou as ordens e a supervisora tentou consertar a situação.

- Pois eu não sabia que agora se produziam pôneis em fábricas! - encerrou Josimar.